Ok, hora do papo sério.

Para quem não sabe, a internet nos EUA está prestes a perder a sofrer um baita golpe. Em 21 de Novembro o presidente da FCC (Federal Communications Comission) – que seria uma espécie de Anatel de lá- chamado Ajit Pai apresentou uma proposta para revogar uma regra implantada no governo Obama que proibia que os provedores de internet bloqueassem ou diminuíssem a velocidade de acesso a determinados sites ou cobrasse mais para utilizar certos serviços online.

Ou seja: eles querem acabar com a neutralidade da rede por lá.

Neutralidade da rede

A internet como a conhecemos é o meio mais igualitário que existe. Aqui o pequeno tem o mesmo espaço que o grande. O bom tem o mesmo espaço que o mal. Quando você se conecta, independente de onde estiver ou qual provedor você está utilizando você pode acessar tudo que a internet oferece sem nenhum tipo de restrição. E isso tudo é graças ao princípio de neutralidade da rede.

E o que aconteceria se isso acabasse? As empresas teriam o poder de decidir quem teria prioridade de acesso na hora que o usuário se conecta. Ou seja, se uma empresa nos EUA decide apoiar o serviço de streaming da Disney em vez da Netflix, ela poderia fazer com que a conexão fosse linda pro primeiro e uma bosta pro segundo, te obrigando a pagar mais pra usar a Netflix (ou mesmo bloqueando). Ou se outra provedora resolve criar um serviço de busca, ela poderia obrigar os seus clientes a utilizar apenas o serviço dela em vez do Google.

Ou pra piorar, se empresa (ou conjunto de empresas) resolve que posição política X tem mais a ver com o interesse deles do que a oposição, eles podem direcionar o tráfego apenas para quem apoia aquilo do que quem faz oposição.

Entendem o perigo? A internet passaria de um meio onde todas as vozes tem espaço para mais um onde algumas empresas decidiriam o que podemos ou não ouvir.

Tá, e o que isso tem a ver conosco?

Em 2014 a então presidente Dilma Rousseff sancionou a lei 12.965/14, mais conhecida como Marco Civil da Internet. E entre vários tópicos que a lei garante, um deles é a neutralidade da rede.

Porém seguindo a tradição de importar o que é ruim, a Folha de São Paulo noticiou hoje que as teles brasileiras só estão esperando a decisão do FCC para investir contra a neutralidade por aqui.

Nós não podemos deixar isso acontecer. É graças a neutralidade que minorias conseguiram ter voz no meio digital. É graças a neutralidade que manifestações puderam ser marcadas, debatidas e levadas para a rua. É graças a neutralidade que um vídeo do William Wack sendo racista pode ser exposto e o povo pode reagir. É graças a neutralidade que sites que são referência hoje puderam começar como blogs escritos em um quarto. É graças a neutralidade da rede que eu posso escrever isso e vocês podem ler sem precisar pagar nada a mais por isso.

Portanto não importa se você é de direita ou de esquerda (ou cima, baixo, diagonal, zagueiro ou centroavante). Não importa se você vai votar no Lula ou no Bolsonaro. Se você é liberal ou comunista. Se bebe Pepsi ou Coca-cola. Se produz conteúdo, oferece um serviço ou só quer ver memes e jogar LoL no final do dia. Se você quer continuar tendo a liberdade de falar sobre o que quiser, ler o que te interessa e fazer o que quiser sem ter uma empresa interferindo, então isso interessa a você.

E o que nós podemos fazer?

Por agora, a única coisa que podemos fazer é ficar de olho (quem usar o twitter pode acompanhar a hashtag #NetNeutrality). Como a matéria falou, as teles brasileiras estão esperando a decisão do FCC sair – o que vai acontecer no dia 14 de Dezembro – para começar a pressionar. Até o dia 6/12/17 não achamos nenhum abaixo assinado que pudesse se beneficiar de assinaturas internacionais, porém se você quiser sugerir algum é só colocar nos comentários.

 

  • Fernando Constant

    A pergunta é…. Como podemos pressionar e impedir algo como isso?
    Confesso que a cada dia me sinto mais impotente diante de um sistema que quer sempre esmagar as vozes mais abafadas em nome do lucro.

    Como podemos nos mobilizar, para impedir tal ação, e também como podemos agir
    para que juntos vençamos essa sensação de impotência que nos abate?

    • Henrique Assis

      Fernando, até o momento o que podemos fazer é ficar de olho. Dia 14 a FCC vai decidir se revoga ou não a neutralidade por lá, e vai ser com essa decisão que as teles vão começar ou não a se movimentar.

      Ainda não achei nenhum abaixo assinado internacional ou algo do gênero que a gente possa contribuir, mas se achar coloco aqui.

      No mais, acompanhe no twitter a hashtag #netneutrality (https://twitter.com/search?f=tweets&vertical=default&q=%23NetNeutrality&src=tyah) pra ver a evolução.